Era tarde da noite. Eu estava scrollando o TikTok.
Uma brasileira na Alemanha falando sobre o acordo Mercosul–EU: "saiu, mas quase ninguém está falando o que isso muda para você, brasileiro na Europa."
Parei. Aquilo tocou em algo que eu já vivia na pele há anos — sem ter nomeado.
No dia seguinte abri uma conversa com a IA com uma pergunta simples sobre oportunidades de produto. Em menos de 48 horas tínhamos documentos de fundação, análise competitiva, arquitetura técnica, pitch, landing page e dois vídeos.
As ideias às vezes me tomam por completo assim. Hiperfoco total. E com a IA como copiloto, eu como maestro — o que antes levaria meses, leva dias.
Nasceu a NAU.
A Nau era o maior navio da era das grandes navegações portuguesas. Robusta, feita para cruzar oceanos, conectar mundos que não se conheciam. Não era um barco de pesca. Era infraestrutura de troca entre civilizações.
É exatamente isso que a NAU faz — conecta quem tem produto com quem tem espaço, com a inteligência, a segurança e o guia humano que a travessia exige.
O primeiro movimento é o corredor Brasil–Alemanha, com foco em alimentos e bebidas — guaraná, vinho da Serra Gaúcha, café especial, cosméticos naturais. Produtos com identidade forte, com storytelling de origem único, que não chegam às prateleiras europeias por desconhecimento — não por falta de qualidade ou de tarifa.
O Lidl faz semanas temáticas. O Rewe tem espaço. O sommelier do Edeka nunca ouviu falar de Serra Gaúcha.
A primeira rota é exatamente essa — uma empresa brasileira com produto pronto encontrando um varejista alemão com espaço e critérios definidos. E o primeiro movimento é fazer isso acontecer manualmente — sem algoritmo, sem automação — para entender onde a fricção está de verdade.
Porque já sei onde está.
Uma empresa brasileira exporta 2.400 caixas para a Alemanha. O rótulo está só em português. A remessa é retida. O produto volta. Dezenas de milhares de euros perdidos. Nenhuma plataforma digital teria evitado isso — porque nenhuma plataforma sabe que bebidas com guaraná precisam declarar cafeína de forma específica conforme a regulação EU 1169/2011.
Um brasileiro que vive em Hamburg e trabalha com alimentos há 12 anos sabe isso de cor.
Eu chamo esse brasileiro de Piloto.
O Piloto é o diferencial humano da NAU. Remunerado por rota concluída — accountability real. Não é um romantismo. É a única forma de resolver o que o dado não captura.
A NAU é autobiográfica.
Sou brasileiro na Alemanha há anos. Trabalho com tecnologia, falo os dois idiomas, navego a burocracia europeia no dia a dia, entendo como uma empresa alemã pensa e como uma empresa brasileira sonha. Fui consultado informalmente dezenas de vezes — de graça — sobre como funciona esse mercado. A NAU nasceu quando percebi que esse conhecimento tem nome — Piloto — e que precisava de uma plataforma que o valorizasse.
Não sou só o fundador.
Sou o primeiro Piloto da NAU.