1995. Dana Albarus — uma empresa americana instalada no Rio Grande do Sul.
Era a época do Windows 3.11. Redes em topologia de anel onde terminadores abertos viravam pesadelos. Telas verdes IBM. Telex para comunicação com os Estados Unidos — e os primeiros faxes chegando para substituir tudo isso.
Eu tinha 19 anos e minha função era automação de documentos — a base dos nossos certificados de metrologia. O item 4.11 da norma ISO 9000 exigia controle rigoroso de instrumentos de calibração: onde estava cada um, quem estava usando, qual o certificado vigente, quais os erros registrados.
Ninguém havia pedido um sistema.
Mas a dor estava ali, visível para quem quisesse ver.
Com um colega que tinha mais experiência técnica, nos sentamos e desenvolvemos em Foxpro um sistema completo de controle de calibração. Ele trouxe a técnica. Eu trouxe a leitura do problema e a visão do que precisava existir. A combinação fortaleceu o software.
O sistema se tornou a base de uso da Dana Albarus.
Não houve festa. Não houve cerimônia. Em ambientes assim, quando você cria uma ferramenta que funciona, você vira responsável por ela. E para mim, com 19 anos, isso bastava.
Naquele mesmo laboratório, a gente tinha um lema que eu imprimi numa HP DeskJet colorida — um dos primeiros modelos assim, numa época em que impressoras matriciais dominavam e laser era coisa de milionário. Colei na parede do laboratório.
"O impossível a gente faz na hora. O milagre demora um pouco mais."
Era motivacional. Mas também era a descrição precisa do que a gente fazia todos os dias.
O que essa época me ensinou não foi sobre tecnologia. Foi sobre o instinto de criar soluções antes de receber permissão para criá-las.
Você não precisa esperar alguém identificar o problema e te pedir a solução. Se você enxerga a dor — e tem como aliviar — essa é autorização suficiente.