2009. Cinco anos antes da Amazon lançar o Echo. Sete antes do Google Home existir.
Eu havia visto algo que me chamou atenção — chips de wifi do tamanho de cartões de memória de celular. Pequenos o suficiente para serem embutidos em qualquer dispositivo doméstico. E pensei: e se um aplicativo pudesse gerenciar tudo isso?
Batizei o projeto de T Inteligente.
A ideia era automação residencial completa — iluminação, eletrodomésticos, segurança, consumo elétrico. Tudo gerenciado por um app. Na época o Android ainda engatinhava. O Symbian era o sistema dominante nos smartphones. Skype era novidade. Mas a visão estava clara: a casa conectada, controlada pela palma da mão, com foco principal em economia de energia.
Fui atrás de parceiros. Me aproximei de fornecedores em Shenzhen, na China — por email, por canais que ainda eram experimentais para a maioria das pessoas.
E então veio sempre a mesma pergunta:
"Quem vai desenvolver o hardware?"
A conversa morria ali — no obstáculo mais imediato, sem olhar para o horizonte.
Sem aporte. Sem o perfil técnico de hardware na equipe. O T Inteligente ficou no papel.
Em 2014, a Amazon lançou o Echo.
Em 2016, o Google lançou o Home.
A sensação que ficou não é amargura. É clareza.
Eu poderia estar vivendo de royalties hoje.
Mas a história me ensinou algo que vale mais do que qualquer produto que não saiu:
Uma ideia sem apoio, por melhor que seja, é só uma ideia.
Network ajuda. Mas mais do que ter uma rede, você precisa de pessoas que conseguem ser contagiadas pelas suas ideias. Pessoas que enxergam o horizonte quando você aponta — não o obstáculo mais próximo.
Cercar-se das pessoas certas não é estratégia social. É a diferença entre um rascunho e um produto.