2023. Alemanha.
Meu filho Lucca havia entrado na fase de histórias para dormir.
Toda noite era a mesma busca no YouTube — algum canal que contasse uma boa história, que fosse seguro, envolvente, com alma. O que eu encontrava eram narrativas fixas, leituras estáticas, animações pobres. Muitos canais escuros, com métricas de visualização como único propósito — sem intenção, sem cuidado com quem estava do outro lado da tela.
A dor era clara. A oportunidade também.
Eu estava fazendo um Weiterbildung em desenvolvimento web — uma requalificação profissional. Com tempo sobrando entre os módulos, me lembrei de algo da infância que havia me fascinado: os livros de múltiplos finais.
"Escolha sua aventura." "Você decide."
Aqueles livros onde você chegava numa bifurcação e escolhia — caminho A ou caminho B — e a história te levava a um final completamente diferente. A narrativa não era passiva. Você fazia parte dela.
E então pensei: por que não fazer o mesmo no YouTube?
A plataforma já tem os cards — elementos interativos que aparecem no final de cada vídeo e permitem clicar e ir para outro. Ninguém havia usado isso de forma estruturada para criar histórias infantis com múltiplos caminhos.
Nasceu o Imagimundos.
Histórias de domínio público ou de minha autoria, narradas em vídeo, que chegam a um momento de decisão. O card aparece. A criança escolhe. A história continua num caminho diferente, com um final diferente.
A criança aprende que suas escolhas têm consequências. Que histórias têm múltiplas versões. Que ela tem voz dentro da narrativa.
A monetização vem em duas camadas: a receita do canal, e uma personalização especial — os pais podem comprar o nome do filho inserido num personagem da história. A criança ouve seu próprio nome na narrativa.
Isso não é conteúdo. É memória.
O canal já existe — no YouTube, no Facebook e no Instagram. Aguarda o lançamento oficial no timing certo.
O Imagimundos me ensinou algo que nenhum projeto anterior havia ensinado da mesma forma:
Quando você cria para alguém que ama, a motivação é diferente.
Não é mercado. Não é oportunidade. É o rosto do seu filho às 21h, esperando que a história comece.
Essa é a audiência mais exigente que já tive.