2013. A empresa onde eu trabalhava enxergava que seu mercado estava encolhendo.
A liderança precisava de uma resposta: onde podemos fazer a diferença? O que ainda não foi resolvido?
Me deram o desafio. E eu simplesmente usei minha criatividade para responder.
Não foram meses de P&D. Não foram consultorias caras nem workshops de inovação. Foram observação, curiosidade e a pergunta certa feita com atenção:
Que problemas reais as pessoas enfrentam todo dia — e que ainda não têm solução à altura?
O resultado foi um funil de dez ideias. Cada uma com modelo de negócio, monetização e viabilidade pensados. Não eram devaneios — eram produtos.
Deixa eu te mostrar o que o mercado fez com elas depois:
— Virtual Shopping: navegação em tour 360 integrada a e-commerce. O metaverso do Meta tentou isso em 2021. O IKEA Place fez o mesmo com realidade aumentada.
— SimPlus: simulador de móveis e eletros no ambiente do cliente. O IKEA lançou exatamente isso anos depois e virou case mundial.
— Horta ao Lar: marketplace de orgânicos por assinatura. Hoje existe uma indústria inteira em cima desse modelo.
— Care Cities: plataforma de problemas urbanos com engajamento por curtidas. O Change.org e o Colab.re construíram exatamente isso.
— Go Park: sensor de vagas de rua com wi-fi e parquímetro inteligente. SpotHero, ParkWhiz e dezenas de soluções de smart city chegaram depois.
— Beach-UP: força de vendas para quiosques de praia. O iFood e o Toast POS resolveram variações desse problema.
— Festa dos Sonhos: orçamento de festas por arrastar e soltar. Zankyou e Hitchd construíram plataformas semelhantes.
— I-GOV: jogo político-educativo onde o jogador percorria cargos eletivos reais. Ainda não vi ninguém fazer isso direito.
— E-Woman: cupons inteligentes via QR para o universo feminino. A indústria de retail tech foi exatamente nessa direção.
— All Services: super app integrando clientes e prestadores de serviço. O que hoje chamamos de marketplace de serviços.
O mercado me deu razão em quase todos.
Só não sabia meu nome.
O que mais me pesa não é ver outros construírem o que eu havia imaginado. É saber que eu não consegui contagiar as pessoas ao meu redor com o tamanho dessas oportunidades. Por lealdade, não quis seguir sozinho. E os projetos ficaram no papel.
Criatividade não falta. Nunca faltou.
O que faz a diferença entre um rascunho e um produto é encontrar as pessoas certas — aquelas que enxergam o horizonte quando você aponta, não o obstáculo mais próximo.
Esse foi o capítulo mais produtivo e o mais frustrante da minha vida criativa ao mesmo tempo.
E foi exatamente ele que me preparou para o que estou construindo agora.