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episódio 06 / 13 · 28 de outubro de 2025

O funil de dez ideias

O mercado me deu razão. Só não sabia meu nome.

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2013. A empresa onde eu trabalhava enxergava que seu mercado estava encolhendo.

A liderança precisava de uma resposta: onde podemos fazer a diferença? O que ainda não foi resolvido?

Me deram o desafio. E eu simplesmente usei minha criatividade para responder.

Não foram meses de P&D. Não foram consultorias caras nem workshops de inovação. Foram observação, curiosidade e a pergunta certa feita com atenção:

Que problemas reais as pessoas enfrentam todo dia — e que ainda não têm solução à altura?

O resultado foi um funil de dez ideias. Cada uma com modelo de negócio, monetização e viabilidade pensados. Não eram devaneios — eram produtos.

Deixa eu te mostrar o que o mercado fez com elas depois:

— Virtual Shopping: navegação em tour 360 integrada a e-commerce. O metaverso do Meta tentou isso em 2021. O IKEA Place fez o mesmo com realidade aumentada.

— SimPlus: simulador de móveis e eletros no ambiente do cliente. O IKEA lançou exatamente isso anos depois e virou case mundial.

— Horta ao Lar: marketplace de orgânicos por assinatura. Hoje existe uma indústria inteira em cima desse modelo.

— Care Cities: plataforma de problemas urbanos com engajamento por curtidas. O Change.org e o Colab.re construíram exatamente isso.

— Go Park: sensor de vagas de rua com wi-fi e parquímetro inteligente. SpotHero, ParkWhiz e dezenas de soluções de smart city chegaram depois.

— Beach-UP: força de vendas para quiosques de praia. O iFood e o Toast POS resolveram variações desse problema.

— Festa dos Sonhos: orçamento de festas por arrastar e soltar. Zankyou e Hitchd construíram plataformas semelhantes.

— I-GOV: jogo político-educativo onde o jogador percorria cargos eletivos reais. Ainda não vi ninguém fazer isso direito.

— E-Woman: cupons inteligentes via QR para o universo feminino. A indústria de retail tech foi exatamente nessa direção.

— All Services: super app integrando clientes e prestadores de serviço. O que hoje chamamos de marketplace de serviços.

O mercado me deu razão em quase todos.
Só não sabia meu nome.

O que mais me pesa não é ver outros construírem o que eu havia imaginado. É saber que eu não consegui contagiar as pessoas ao meu redor com o tamanho dessas oportunidades. Por lealdade, não quis seguir sozinho. E os projetos ficaram no papel.

Criatividade não falta. Nunca faltou.

O que faz a diferença entre um rascunho e um produto é encontrar as pessoas certas — aquelas que enxergam o horizonte quando você aponta, não o obstáculo mais próximo.

Esse foi o capítulo mais produtivo e o mais frustrante da minha vida criativa ao mesmo tempo.

E foi exatamente ele que me preparou para o que estou construindo agora.

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