2013. Porto Alegre.
Todo ano era a mesma cena. A campanha salarial do sindicato dos profissionais de TI do Rio Grande do Sul chegava, e ia embora. Sem repercussão. Sem audiência. Sem força.
O Sindppd/RS representava uma categoria que sustentava bancos, lojas, empresas estatais e redes sociais — e quase ninguém sabia que existia.
Eu me ofereci para mudar isso.
Não porque era ativista. Mas porque eu via o problema com clareza: o sindicato precisava de uma história, não de um comunicado. Precisava viralizar no YouTube numa época em que isso ainda era possível com uma boa ideia e zero orçamento.
Fui até eles com uma proposta simples: eu escrevo o roteiro.
A ideia nasceu nas ruas de Porto Alegre e numa percepção que qualquer profissional de TI reconhece imediatamente — a tecnologia não tem hora de parar. Ela funciona 24 horas. E quando para, o mundo para junto. Banco não abre. Loja não vende. Rede social não carrega. É só nesse momento que somos reconhecidos.
Daí nasceu "O Sonho da TI".
Um profissional exausto, após um longo dia de trabalho, adormece. E sonha uma vida sem TI. Ou será um pesadelo?
Participei da pré-produção, ajudei a contratar a Procine como produtora e estive nas gravações iniciais. Conheci Jéferson Rachewsky — ator e palhaço com uma presença caricata que funcionou perfeitamente para o personagem.
O vídeo não viralizou do jeito que eu havia imaginado.
Mas até hoje é o vídeo com mais visualizações do canal do Sindppd/RS — 9 a 10 mil visualizações, publicado em dezembro de 2013, e ainda lá.
Para uma categoria invisível, isso era visibilidade.
O que esse episódio me ensinou não foi sobre sindicato nem sobre campanha salarial.
Foi sobre o poder de usar narrativa onde todos usavam comunicado.
Quando você transforma uma causa em história, as pessoas param de ignorar e começam a sentir. E sentir é o primeiro passo para agir.
Eu sou profissional de TI. Mas sempre soube que a tecnologia, sozinha, não convence ninguém.
A história convence. A tecnologia entrega.