2012. Porto Alegre.
Entre sistemas, projetos e campanhas sindicais, havia algo que eu fazia por puro prazer — escrever ficção.
Criei uma página no Facebook chamada "Me conte uma história" e comecei a publicar capítulos de uma trama que misturava o mundo corporativo da televisão com suspense e crime.
A história girava em torno de um reality show onde os participantes tinham que arquitetar um roubo — como desafio televisivo. O que os produtores não sabiam era que entre os participantes reais havia um grupo criminoso de verdade. A ficção e o crime se misturavam dentro da própria trama. Ninguém sabia onde terminava o jogo e onde começava o perigo.
O protagonista era Robert Ghost — um jornalista veterano de TV, beirando os 50, num ambiente de redação onde poder, ambição e segredos se cruzavam a cada episódio.
Não havia roteiro fechado. Eu escrevia capítulo por capítulo, publicava na página, e as interações dos leitores eram o motor para seguir em frente. Os comentários alimentavam a direção da história. As pessoas ficavam esperando o próximo capítulo.
Era storytelling interativo antes de existir nome bonito para isso.
A série ficou inacabada.
Projeto que é hobby não põe comida na mesa — e a vida foi pedindo atenção em outras frentes. Robert Ghost ficou suspenso numa trama que nunca teve conclusão.
Mas o que ficou foi uma certeza que carrego até hoje:
Uma boa história cativa.
Não importa o formato. Não importa a plataforma. Não importa se é um roteiro sindical, uma campanha de produto, uma apresentação executiva ou uma série de posts no LinkedIn.
Quando há uma história real por trás — com personagens, tensão e verdade — as pessoas param. Leem. Esperam o próximo capítulo.
É exatamente o que estou fazendo agora com esta série.
E é o que faço em tudo que construo.