Eu tinha cinco anos quando desmontei o rádio do meu avô.
Não por maldade. Por curiosidade. Precisava entender o que havia lá dentro que produzia aquele som.
Meu avô não se irritou. Ele era desse tipo — pedreiro, marceneiro, hidráulico, o que fosse preciso. Um homem que construía casas do zero com o que encontrava. Para ele, desmontar as coisas para entender como funcionam era apenas o começo de qualquer coisa útil.
Aprendi a ler e a contar com ele, antes dos três anos. Aprendi que um problema sem solução é apenas um problema ainda não observado com atenção suficiente.
Essa curiosidade nunca parou.
Ela me levou a criar minha primeira empresa aos 16. A desenvolver sistemas que ninguém havia pedido. A conceber produtos que o mercado construiu anos depois — com outro capital, com outro nome, mas com a mesma dor que eu havia identificado antes.
Ela me trouxe até a Alemanha. Fez nascer o Imagimundos quando nasceu meu segundo filho. E está na base do que construo hoje — ZEV AI e NAU.
Não salvar o mundo.Fazer bem a alguém.
Essa sempre foi a motivação. Simples assim.
Nas próximas semanas vou contar essas histórias — uma por vez. Algumas têm mais de trinta anos. Algumas nunca foram publicadas em lugar nenhum. Todas deixaram algo que uso até hoje.
Bem-vindo à série.
Cinquenta anos de rascunhos — muito disso antes da IA se tornar popular.